segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um garoto chato

Recebi esta história e achei surpreendende como algo que parece ter "explodido" e acabado de vez tenha sido uma oportunidade real de recomeço. Leiam. Vale a pena. “Justamente no meu grupo – diz – havia um garoto chato, um menino de 8-9 anos, praticamente sem família, que morava com os parentes que não amava e pelos quais não era amado, chamado AK. Ele era chato, provocava todos, tirava sarro dos meninos judeus, brigava, e assim por diante. Todos nós, principalmente eu que era responsável por ele, chamávamos sua atenção com a palavra e o exemplo, mas certa vez AK passou de todos os limites: bateu num dos colegas, chamou palavrões para os adultos, fez pequenos furtos, e aí foi decretada a sua expulsão. Quando chegou o momento de pôr em prática a condenação, o momento da separação, eu – fala JD –não sei como, desatei a chorar, e a partir daqui aconteceu o segundo nascimento de Ak. Ele também começou a chorar, pediu perdão a todos, devolveu os objetos roubados e a partir daí me seguia sempre por toda a parte no acampamento, como um cãozinho fiel; explicava pra todo mundo que em sua vida jamais tinha visto uma professora chorar pelo seu aluno, chorar – dizendo com suas palavras – pela alma e pela vida de um menino travesso. Era exatamente este o sentido do seu maravilhamento e do seu desejo de se colocar no bom caminho”.
Isto não é o testemunho do que é a caridade (...) um dom de si comovido, até as lágrimas? E esse é o desafio que um olhar assim, comovido até as lágrimas, provoca em qualquer um que se deixe tocar. É isto o humano, deste Ak que reage ao pranto de sua professora. É necessário o humano. Não é necessário fazer tudo certo, é necessária a ferida, é necessário o humano que se deixa tocar pelo pranto da sua professora. Toda a insistência de (...) pôr a tema o humano é justamente para isto, pois que nós não façamos certo Ele sabe disso melhor do que nós. Ele é o Mistério, imaginem se não sabe disso melhor do que ninguém! Mas sem desatar a chorar, também pela comoção de alguém pela nossa vida, não há nada a fazer. E esse é o desafio que a comoção de Cristo introduz, e quem aceitou deixar esse olhar entrar (este é o trabalho porque a pessoa poderia recusá-lo, poderia se fechar ante essa comoção de alguém por ele) poderá ver o resultado na própria vida do que é que faz reacontecer o Mistério em nós. E nos testemunhos se vê muito bem que não há circunstâncias mais ou menos favoráveis ou pessoas mais ou menos aptas: qualquer circunstância, qualquer situação pessoal, pelo fato de existir é uma oportunidade."

Texto de Artur da Távola

Coisas que a vida ensina depois dos 40 ou até 70

"Amor não se implora,
não se pede,
não se espera...
Amor se vive,
ou não.

Ciúmes é um sentimento inútil.
Não torna ninguém fiel a você. Animais são anjos disfarçados,
mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz,
não com o que você diz.

As pessoas que falam dos outros pra você,
vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer
nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.

Deus inventou o choro para
o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que
depende do bom senso.
Não existe comida ruim,
existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto
com a falta de grana.

Ser autêntico é a melhor
e única forma de agradar.
Amigos de verdade
nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma
contra o ódio.
As diferenças tornam a vida
mais bonita
e colorida.

Há poesia em toda a criação divina. Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar,
não faz de ninguém um tolo.
Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo,
o que fica é o seu nome
e as lembranças acerca de suas ações.

Obrigado,
desculpa,
por favor,
são palavras mágicas,
chaves que abrem portas para uma vida melhor.
O amor...
Ah, o amor...
O amor quebra barreiras,
une facções, destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama,
é muito amado
e vive a vida mais alegremente
..."

© Artur da Távola - 1936/2008

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"A pobreza tem muitas faces, e madre Teresa, tão familiarizada com a pobreza e com a fome material, afirmou certa vez que no mundo ocidental - onde as pessoas parecem ser mais ricas - há uma fome maior e uma pobreza mais severa que aquelas encontras nas ruas de Calcutá: é a pobreza espiritual, a ausência de sentido e a indigência dos que renunciaram ao seu Senhor, fonte, sentido e fim de toda nossa existência." (Zenit)